segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Estado laico versus diversidade religiosa

Descrição para cegos: pessoas em protesto pela laicidade, segurando
cartazes, dentre eles uma faixa central com o nome em letras
agigantadas: "ESTADO LAICO".

Muitos falam em um país "laico", onde a liberdade de cada um é garantida na Constituição. Contudo, a realidade nos mostra algo diferente, que transforma nosso pensamento, nosso intrínseco, nosso "eu". O texto a seguir é importante, pois nos mostra um pouco do que deveríamos pensar todos os dias e, a partir de tal pensamento, exercermos nossa cidadania e nossos direitos, não só na seara religiosa, mas em todas as esferas envolvidas pelos Direitos Humanos. (Fernanda Chagas).
Diversidade religiosa na seara dos Direitos Humanos
          Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

sábado, 22 de novembro de 2014

Como ensinar religião no ensino fundamental em um Estado laico?

Descrição para cegos: mapa do Brasil com o desenho da bandeira nacional
preenchendo o território. Ao redor dos limites geográficos, nomes de
diversas religiões.

Por: Marayane Ribeiro

Laicidade é um termo que define a separação entre Estado e religião. Um Estado laico tem por pressuposto não intervir em formas de organização coletiva e privada. Todo ser humano deve ter o direito de escolher qual doutrina seguir ou em qual Deus(es) crer. Como também o direito de não ter nenhuma crença ou religião.
Disciplina facultativa nas escolas públicas do país, o ensino religioso é motivo de discussão por educadores, pais e alunos. Isso porque não há um modelo exato de aplicação dessa matéria em sala de aula. A metodologia é realizada de acordo com a formação de cada profissional.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Israel: uma diversidade pouco conhecida

Descrição para cegos: bandeira de Israel; totalidade azul, com
duas faixas horizontais amarelas e estrela de Davi no centro,
também em amarelo.

Israel é um país localizado no Oriente Médio sob o sistema parlamentarista, onde o chefe de governo não é eleito pelo povo. Apesar de constituir uma democracia representativa, é conhecido como “um Estado judeu e democrático”. No entanto, naquele país, outras religiões também são praticadas. O que as leis do país mais defendem em sua legislação é a diversidade religiosa. A Declaração de Independência de Israel, promulgada em 1948, garante a liberdade religiosa na região. Membros das religiões budista, hindu, muçulmana e cristã são aceitos e respeitados. Um texto publicado no site Obra em Alagoas fala um pouco sobre essa diversidade religiosa em Israel. O texto completo segue abaixo. (Marayane Ribeiro).

"Com maioria judaica, Israel respeita a diversidade religiosa"

Israel é um Estado não laico, ou seja, não há separação entre religião e o Estado. Por outro lado, o país não possui religião oficial, e por ser uma democracia com eleições livres, também não pode ser considerado um Estado teocrático, mesmo que quatro quintos de sua população de 7 milhões de pessoas seja composta por judeus – segundo informações de órgãos oficiais do país.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sim à liberdade

Descrição para cegos: passarinho saindo de uma casinha de
madeira, construída em suas dimensões.



      Ao refletirmos sobre o sentido das religiões em nossa cultura, detectamos um aspecto peculiar entre todas ao mesmo tempo: o Criador e suas mensagens de união e paz. Não necessariamente teríamos que seguir tal religião para sermos filhas e filhos do Criador. Ele tem vários nomes que o identificam e nos ensinou diversas formas de evocá-lo.
      Pensarmos que apenas uma religião implica na certeza do "lugarzinho no céu" é como pensar que não existem várias estradas que levam uma pessoa ao mesmo destino. Decidir por uma religião é mais que um papel fundamental em nossos dias, digno de respeito e um direito de escolha que está implícito na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não podemos impor que algo seja falso por não conhecermos a fundo suas origens e suas filosofias de pregação - culto.
      Uma clara ideia de consciência sobre diversidades esteve sempre com o Nelson Mandela. Quem nunca ouviu ou leu esta citação:

- " Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar ".
     
      Ensinar a amar e, acima de tudo, respeitar as escolhas das pessoas, pois temos o livre arbítrio para decidir qual caminho nos levará aos braços do Criador. (Fernanda Chagas).

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A diferença é o que nos torna iguais

Descrição para cegos: Foto de uma mulher
segurando uma plaquinha com a palavra
"Diversidade", em cores diferentes para
cada letra.

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, mais conhecido como Lenine, é um cantor, compositor, produtor e músico brasileiro. Suas músicas refletem um misto de manifestações culturais e sociais de todas as partes do país. Com letras que quebram definições preconceituosas e rótulos, Lenine provoca questionamentos sobre vida, morte, sexualidade, respeito ao próximo e religião. Numa de suas composições, intitulada Diversidade, o músico coloca em discussão, como a própria palavra supõe, a característica que torna todo ser humano igual: a diferença. Colocando como pressuposto Deus ter criado cada um com sua singularidade e todos como parte de um. A letra segue abaixo e você pode escutar a canção aqui (Marayane Ribeiro).

“Se foi pra diferenciar 
Que Deus criou a diferença 
Que irá nos aproximar 
Intuir o que Ele pensa 
Se cada ser é só um 
E cada um com sua crença 
Tudo é raro, nada é comum 
Diversidade é a sentença 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Carta ao navegador

Descrição para cegos: nuvens em um céu claro.


Por tantos caminhos a trilhar 
vejo a necessidade de não ires sozinho; 
pelos dias irás passar 
e sei, apenas sei: tua hora irá chegar!

Irás devagar e com tua fé 
diz-te o mestre de luz; 
usarás teus próprios pés 
em meio ao caos da escuridão, que por vezes te conduz! 

Ainda que te encontres dolente 
tenho anjos, santos, orixás 
e em tuas preces me farei presente 

Em teu coração será o meu lar 
nunca desanimes, navegador! 
Conheço tua alegria e tua dor     (Fernanda Chagas)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A figura de Deus para as crianças

Descrição para cegos: papel em branco sob vários lápis
de cor.

Por Marayane Ribeiro

O imaginário infantil é um universo particular que rende situações peculiares. Um estudo está sendo realizado em aulas de ensino religioso de algumas escolas municipais paraibanas.
A ideia é pedir para as crianças representarem através de desenhos ou pinturas a figura física de Deus. A pesquisa está sendo desenvolvida pela professora do curso de Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba Eunice Gomes.
Além do desenho, as crianças elaboram um pequeno texto para contextualizar a imagem. Eunice conta que os primeiros testes revelaram representações interessantes “Teve uma criança que fez a imagem de Deus como mãe”.
           Os resultados gerais mostraram a predominância de três estruturas: a heroica, Deus no trono, no céu, nas nuvens; a mística, a cruz e a morte representando a ressurreição; e a dramática, que mostra as etapas sucessivas que Deus oferece ao ser humano.
           Em breve estarei postando o link completo da entrevista com a professora Eunice Gomes.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Aninha e a morada de Deus

Descrição para cegos: mãos
de criança unidas em posição
orante segurando um crucifixo.

            Eu percebi há algum tempo que minha mulher andava triste pela casa. Lamentava sozinha nos cantos, dormia mais cedo que o habitual. Até os sorrisos dela eram tristes. Imaginei se tinha sido algo que fiz, mas não lembro de ter feito nada errado.
         Certo dia decidi perguntar o motivo de toda aquela tristeza. Mesmo porque ela sempre foi forte e fervorosa. Nunca deixava nada lhe abalar, porque tinha Deus do seu lado. Toda vez que se entristecia com algo, buscava em silêncio o conforto divino. Mas desta vez era diferente, porque nem isso estava ajudando. “É a Aninha, amor”, disse ela, “nos últimos dias ela tem visitado cultos afro. Nossa família sempre foi fortemente católica, não entendo o porquê de ela fazer isso agora.”
         Ouvindo isso, até me assustei. Realmente, nossa família sempre foi adepta do catolicismo. E agora Aninha me vem com essa? Perguntei se ela sentia vontade de abandonar nossas tradições religiosas e assumir sua nova religião. Fiquei aliviado quando ela disse que fora convidada por um amigo e ficou curiosa, porque só conhecia uma religião. Assistiu a alguns cultos e se encantou com o uso do corpo, na dança, de se comunicar com os deuses.
         Aninha aprendeu que seu corpo é também uma morada de Deus, e com isso Ele estaria sempre com a garota e que nem sempre é preciso ir até a igreja para se encontrar com Deus. Às vezes só basta deixar um espaço reservado para Ele no coração. (Kilder Cavalcante)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Uma parte da história conhecida como intolerância

Descrição para cegos: foco na mão de uma pessoa que está tocando piano.

Por Marayane Ribeiro

O ser humano nunca precisou procurar muitos motivos para praticar a violência. Qualquer animosidade ou divergência já é fator para provocar uma grande guerra. O filme O Pianista (2002) tem como principal cenário a Polônia e o início da proibição dos direitos dos judeus no país - a construção dos campos de concentração e o extermínio em massa desse povo, durante a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de se esperar encontrar apenas dor e sofrimento – não que estes não estivessem presentes – um entre milhares ousou sonhar com a música e defender suas crenças. Szpilman, personagem principal da trama é pianista e mora com sua família em um bairro simples da cidade de Varsóvia e vê sua vida e de todos que ama começar a desmoronar com a grande perseguição contra os seguidores de sua religião, o judaísmo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Somos todos irmãos

Descrição para cegos: três mãos unidas no centro da imagem.
No fundo, um lençol com florido.


          Não sabemos o que as pessoas pensam em relação às religiões e isso seria um infinito desafio humano. Contudo, quando Deus criou o ser humano, o fez à sua imagem e semelhança; todos nós somos obras divinas, criadas com determinados propósitos de vida. Irmãos ligados pelo sentimento de amor, misericórdia e fraternidade; portanto, seria injusto pensar que somos maiores em relação aos demais.
          As diferenças, principalmente as religiosas, estão aí para nos ensinar e nos mostrar que o mundo interage de diversas formas e que não somos únicos nele. Irmãos são todos os sobreviventes das adversidades da vida; são todos que possuem o fio da vida em qualquer situação; são os que compartilham ou não a "palavra" celebrada em tantas diversidades de representações religiosas. Irmãos somos todos nós. (Fernanda Chagas).

domingo, 12 de outubro de 2014

Alguém em quem acreditar

Descrição para cegos: imagem em alto relevo
e preto e branco do rosto de Jesus.

Originalmente da banda britânica Depeche Mode, a música Personal Jesus foi regravada por artistas como Marylin Manson e Johnny Cash. A letra se utiliza da figura de Jesus para exemplificar a necessidade humana de se apegar a uma determinada crença. Segundo Martin Gore, compositor da canção, cada ser humano pode encontrar um deus (ou vários deles) dentro de si mesmo e é essa característica que faz nascer o desejo de se conectar espiritualmente com uma divindade e criar vínculos com essa determinada fé. A música também proporciona várias interpretações dos ouvintes, que criam suas próprias suposições sobre a letra, alguns enaltecendo, outros criticando.(Marayane Ribeiro)
Escute e dê sua opinião também. 

Tradução: Jesus Pessoal

"O seu próprio Jesus pessoal
Alguém que ouça suas preces
Alguém que se importe
O seu próprio Jesus pessoal
Alguém que ouça suas preces

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mais tolerância, por favor!

Descrição para cegos: placa com três setas formando um círculo.

      Até onde chega o limite das pessoas que se consideram superiores às outras? Há um interminável conflito que abala gerações ao longo da história da humanidade. Há séculos e séculos são questionados desagradáveis relatos históricos sobre a necessidade do ser humano em compartilhar experiências de cunho preconceituoso e muitas vezes “irracional”. Chegar ao extermínio de vidas em prol de deuses para algumas religiões é sagrado e válido. Porém, o que dizer daqueles que sofrem a agressão? Existe apenas uma verdade válida? 
       A questão da intolerância em cunho religioso ultrapassa todos os limites, atingindo, em sua maioria, aspectos sociais e políticos, como acontece em nossos dias em conflitos que assistimos quase todo tempo nos jornais (a exemplo de Israelenses e Palestinos) e a tentativa em cessar tais conflitos através de tratados de paz. 
       Sobre todos os choques existentes e pregressos, a única esperança seria a do reconhecimento mútuo de que todas as religiões possuem seus fundamentos, e que acima até da própria tolerância o respeito se encaixa perfeitamente na bandeira pela busca da paz. (Fernanda Chagas)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cristão pode ir ao cinema sim!

Foto: Kilder Cavalcante

          Certo dia desses, enquanto pesquisava por publicações referentes à diversidade religiosa para a minha primeira publicação autoral no blog da cadeira de Jornalismo e Cidadania, deparei-me com a seguinte pergunta: “Cristão pode ir ao cinema?”
         A princípio o questionamento foi totalmente sem lógica para mim. “Mas é claro que sim!”, pensei eu, “Por qual motivo cristãos não poderiam ir ao cinema?”. Mesmo assim não consegui aquietar o pensamento e deixar para lá essa pergunta. Cheguei até a rir quando a li, por tamanha obviedade.
         Mas como disse, não me aquietei, e comecei a avaliar os motivos que levariam um cristão a não poder ir ao cinema: o teor dos filmes, talvez? O contato com pessoas ímpias? Já que alguns, segundo sua crença, têm motivos para não manter relações sexuais antes do casamento e nem comer carne vermelha na época da Semana Santa, poderiam também ter algum motivo para evitar as salas de cinema.
         Depois de refletir comigo mesmo, resolvi sair da ignorância e pesquisar. Vi que cristãos podem sim, ir ao cinema, mas são aconselhados a não ver filmes que os afastem de seu compromisso com Deus. Tendo em vista, ainda, a pergunta do início do texto, fiz a mim mesmo um novo questionamento: “Alguma religião proíbe seus crentes de irem ao cinema?” (Kilder Cavalcante)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A política e os candidatos não laicos

Descrição para cegos: pessoa com os braços cruzados sobre o
peito e as mãos tocando os ombros.
          A laicidade é dever do Estado e assegura o direito do ser humano professar sua fé individual (ou não), podendo não só demonstrar sua religião (cristão, budista, espírita etc.) como também não fazer parte de nenhuma (ateu ou agnóstico).
          Em plena atividade política, ano de eleição para Presidência da República, deputados estaduais e federais, senadores e governadores de estado, a utilização de termos como “pastor (a)”, “padre”, “pai” ou “mãe” junto ao nome público de alguns candidatos já é algo costumeiro de se ver no horário eleitoral.
          A autoproclamação da afinidade religiosa através da escolha do nome público é uma atitude que rende complexos debates sobre ética, liberdade religiosa e laicidade do Estado. Um candidato ao ser escolhido – e principalmente o eleitor ao escolher esse candidato – como presidente, governador ou qualquer outro cargo, deve estar ciente de que não pode ter preconceito nem desrespeitar nenhuma categoria social ou opção de vida dentro dos preceitos da legalidade.
          O ser humano (independentemente do cargo a que esteja candidato) tem o direito de propagar sua religião. Em contrapartida, essa mesma garantia não deve sobrepor à inclusão de todos os grupos sociais. Para que políticas públicas sejam aplicadas e pensadas para incluir todos os cidadãos, não é necessário não ser religioso e sim saber respeitar o próximo. (Marayane Ribeiro)