sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Candomblé não será tema de aula na escola


Descrição para cegos: foto de 4 mãos segurando objetos religiosos. Uma segura um menino Jesus; a que está próxima segura um Buda; a terceira segura um Menorá, candelabro símbolo judeu; e a quarta segura um subha, peça feita de contas usada nas orações dos mulçumanos.

Por Élida Almeida

Ir à escola, nos últimos meses, estava sendo um desafio para Diego, depois de assumir para seus colegas que a sua religião era o Candomblé. Há alguns meses, tudo mudou, ele passou a ouvir comentários nos corredores e até na sala de aula, por professores que usavam blusas com crucifixos enormes com dizeres de que devemos amar ao próximo. “Mas que tipo de pessoas são essas?” Pensava Diego.
Certo dia, um colega de Diego estava discutindo com ele sobre as religiões que existem no Brasil. Em um momento de fúria, o colega de classe levantou o dedo e o apontando para o menino, disse: “Candomblé é do demônio!” Diego não entendeu essa colocação de seu colega, afinal, no Candomblé não se acredita em demônios.



Mas seu coração se encheu de esperança de que tudo ia mudar depois que ele leu em um portal de notícias sobre a implantação do ensino religioso nas escolas públicas. Imaginou que agora seus colegas e professores iriam conhecer e aprender um pouco sobre o Candomblé e, quem sabe, assim, as brincadeiras sem sentidos iram parar.
Diego estava feliz, parecia que alguém finalmente o notou no meio de milhares de pessoas de outras religiões. E por uma semana, ele estava animado com as aulas de religião da escola, porque sabia que depois de um tempo, seria a sua vez de presenciar um professor explicando a beleza da sua crença e ele não seria mais o estranho da turma por seguir a fé de seus pais e avós.
Uma semana se passou e novamente Diego estava lendo as notícias na internet quando se deparou com a decisão do STF: as escolas não teriam mais que ensinar a diversidade religiosa. Isto seria opcional, como também que regiões ensinar.

Esse fato entristeceu o pobre Diego, porque ninguém precisava esclarecer a ele que o Candomblé não teria espaço na escola, nunca teve na verdade e infelizmente não seria agora que as pessoas iriam conhecer e o respeitar pela fé que escolheu seguir. 

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