segunda-feira, 23 de junho de 2014

Colóquio sobre Diversidade Religiosa


Foto: Carmélio Reynaldo


A turma de Jornalismo e Cidadania promoveu, no dia 11 de junho, um colóquio sobre Diversidade Religiosa que contou com a presença do professor Carlos André Cavalcanti. O professor conversou sobre questões como o ensino religioso nas escolas, o Estado laico, as minorias religiosas e a criação do Comitê da Diversidade Religiosa na Paraíba.
Carlos André é professor Doutor Associado da UFPB, onde atua no ensino e na pesquisa nos níveis de Graduação e Pós-Graduação nas áreas de Ciências e História das Religiões. Ele ainda é um dos fundadores da área de Ciências das Religiões na UFPB e integra o corpo docente da Pós-Graduação em História da mesma instituição e leciona e publica em: Ciências das Religiões, História das Religiões, Teoria do Imaginário e História Moderna. Carlos André também é líder dos grupos: Videlicet Religiões, de Estudos em Intolerância, Diversidade e Imaginário, e do Officium, de História da Inquisição, das Religiões e do Sagrado.
Seguem abaixo os vídeos com as explanações do professor no colóquio. 


A relação entre magistratura e diversidade religiosa
Apesar de o Brasil ser um país com grande pluralidade religiosa, tem se tornado cada vez mais comum a ocorrência de atos que ferem diretamente o respeito e o direito à diversidade religiosa. A população tem se tornado cada dia mais intolerante contra credos que não sejam os tradicionalmente professados no Brasil. Neste vídeo, o professor Carlos André fala sobre como a magistratura deve tratar a diversidade religiosa e sobre o que define algo como religião. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Pagador de Promessas: representação do sincretismo religioso na cultura baiana

Resenha

Foto: Reprodução/ Youtube

Lançado em 1962 com direção de Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas foi vencedor do Festival de Cannes na categoria Melhor Filme. O longa-metragem foi baseado na peça teatral homônima de Dias Gomes, encenada pela primeira vez em 1960, em São Paulo.
O protagonista é Zé do Burro, um agricultor que sai do interior da Bahia rumo a Salvador carregando uma cruz nas costas para pagar uma promessa. O seu melhor amigo, o burro Nicolau, fora atingido por um raio e encontrava-se muito doente. Depois de ser desenganado sobre a recuperação de Nicolau por um veterinário, Zé resolve fazer uma promessa para Iansã, em um terreiro de candomblé, e promete dividir suas terras com os lavradores mais pobres e carregar uma cruz “tão pesada quanto a de Cristo” até o altar da igreja de Santa Bárbara.
No entanto, ao contar sua história ao padre Olavo, vigário da igreja, o protagonista começa a encontrar os obstáculos que vão acompanhá-lo por todo o correr da história. O vigário, ao saber que a promessa fora feita em um terreiro de candomblé, recusa-se categoricamente a autorizar a entrada de Zé na igreja com a cruz, acusando-o de bruxaria.
O enredo da história é todo marcado pelo sincretismo religioso inerente à cultura baiana. Para driblar seus senhores, que os obrigavam a cultuar entidades católicas, os escravos fingiam cultuar os santos cristãos, mas, na verdade, mesclavam sua religião àquela que lhes era imposta. Assim, Iansã, oxirá a quem Zé do Burro fez a promessa, corresponde a Santa Bárbara.
         O filme consegue mostrar muito bem essa mescla de religiões. A cena das baianas lavando as escadarias da igreja de Santa Bárbara com vasos de água perfumada ilustra isso. A presença constante dos capoeiras nas escadarias também pontua essa forte influência afro na cultura da Bahia.
         O ponto de vista de Zé, irredutível no que diz respeito a cumprir a promessa de levar a cruz ao altar, também mostra a mentalidade do povo simples, para o qual não faz diferença se é Santa Bárbara ou Iansã, igreja ou terreiro de candomblé. O sincretismo já está tão enraizado na cultura que é incompreensível ao protagonista que o simples fato de ter feito a promessa em um terreiro vai impedi-lo de cumpri-la. O filme também retrata a intolerância religiosa por meio da figura do padre, que discrimina categoricamente a promessa de Zé e a rotula como bruxaria.

                                                                          Por Érica Rodrigues

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Católicos e muçulmanos vão apoiar retirada de vídeos de intolerância religiosa

Arcebispo acredita que medida indica comprometimento com o Estado laico
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)





Organizações religiosas vão entrar com pedido na Justiça para participarem como amicus curiae no processo que pede a retirada  da internet de vídeos com mensagens de intolerância aos cultos afro-brasileiros. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) depois de reunião da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir), na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro. No encontro, a Igreja Católica e a Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro anunciaram apoio à causa dos praticantes das religiões de matriz africana.

A atuação como amicus curiae vai permitir que sejam ouvidos no processo como terceiros, em benefício do interesse do julgamento.  Na quarta-feira (10), o Ministério da Justiça anunciou um grupo de trabalho para debater ações de enfrentamento à discriminação e à violência contra praticantes de religiões de matriz africana, depois de reunião entre o ministro José Eduardo Cardozo e líderes do candomblé e da umbanda, que foram a Brasília pedir garantias para a liberdade de culto.

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta,  disse que, ao decidir participar do processo, a igreja reafirma a defesa da liberdade de expressão e de comunicação em um país laico e “que, portanto, deve respeitar todas as religiões”. “Estaremos junto na necessidade de se fazer respeitar todos os segmentos, seja afro, judeu, cristão ou muçulmanos”, frisou dom Orani.

Da Sociedade Beneficente Mulçumana, o líder Samy Armed Isbelle afirmou que o preconceito persegue várias religiões. “Temos na realidade, hoje, um ataque ao que é sagrado, à religiosidade das pessoas. Na internet, vamos encontrar centenas de vídeos atacando o Islã. Então,  nos unimos em defesa do sagrado, na defesa da prática de todas as religiões”, acrescentou.



terça-feira, 10 de junho de 2014

Evangélicos são acusados de destruir escultura católica em Carrapateira

Fiéis são da igreja do Pastor Luiz Lourenço, também acusado por
declarações intolerantes (Foto: Reprodução/YouTube/Diário do Sertão)
Um grupo de evangélicos da cidade de Carrapateira, no Sertão da Paraíba, está sendo acusado pelo padre Querino Pedro Cirilo, líder da paróquia de Santo Afonso, por intolerância religiosa ao destruir, urinar e atear fogo em uma escultura de Nossa Senhora. Segundo o pároco, o caso teria acontecido na última terça-feira (03).

Os acusados são membros da Igreja Pentecostal Rio de Águas Vidas, presidida pelo Pastor Luiz Lourenço, mais conhecido como “Pastor Pororoca”. Além dos atos de vandalismo, o grupo ainda é denunciado por discursos odiosos em relação a fiéis católicos, ao afirmarem que estão “condenados ao inferno”.

Por meio de nota de agravo na internet, a Diocese de Cajazeiras, da qual a paróquia de Carrapateira faz parte, repudiou as atitudes do grupo fundamentalista, que classificou como ignorantes. “Sabe-se que todos têm direito e liberdade de expressar sua fé, mas viola a Lei e o valor ético quando interfere e mais ainda, difama e agride a Fé alheia. Os Católicos veneram Maria como Mãe de Deus e da humanidade e para tanto merecem o mínimo de respeito”.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Intervenções Religiosas

A diversidade religiosa e o respeito às crenças ainda consiste em um assunto que gera muitas polêmicas. No entanto, nas ruas da cidade podemos ver a manifestação de diversas religiões e ritos em forma de interferências artísticas. Cartazes, panfletos, adesivos de carros, estátuas e monumentos são usados como meio de expor as religiões e também como símbolos representativos. Confira abaixo alguns exemplos dessas interferências espalhadas pela cidade.


Crédito: Manoela Raulino/arquivo pessoal
- A cruz é um dos símbolos mais conhecidos pela humanidade e é utilizada tanto pela comunidade católica quanto pela protestante.


Crédito: Manoela Raulino/arquivo pessoal
- Nessa imagem vemos o terço como adesivo para carro. Essa intervenção é amplamente utilizada pelos católicos.


Crédito: Manoela Raulino/arquivo pessoal
- O esoterismo tem tomado espaço em nossa sociedade. Cartomancia, búzios, leitura de mão são exemplos dessas crenças.


Crédito: Manoela Raulino/arquivo pessoal
- O símbolo do peixe é muito utilizado pelos cristãos. Ele remete ao fato de Jesus Cristo ter andado entre pescadores e se autointitulado "pescador de homens".


Créditos: Manoela Raulino/arquivo pessoal
- As religiões orientais têm ganhado adeptos por todo o mundo. Esse método da meditação, inclusive é utilizado também por outras religiões.



terça-feira, 3 de junho de 2014

Colóquio aborda o conflito entre Religião e Diversidade Sexual

O assunto foi discutido durante atividade realizada pela turma do quinto período do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba. Convidada para falar sobre diversidade sexual, a professora e psicóloga Flávia Maia foi indagada sobre como poderia ser resolvido o conflito entre religiosos e a comunidade LGBT. 
O vídeo, postado no Blog Cidadania e Diversidade Sexual, traz a resposta da Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisa Sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero, o Nipam. Confira! (Daniel Lustosa)

Fonte: Blog Cidadania e Diversidade Sexual – Cidadania em Pauta

 http://cidadaniaediversidadesexual.blogspot.com.br/2014/05/coloquio-diversidade-sexual-parte-v.html

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Você conhece a lei que garante proteção aos grupos étnicos, raciais e/ou religiosos?

No dia 24 de maio, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a alteração na Lei 7.347, também conhecida como Lei da Ação Pública, para incluir a proteção à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos e religiosos.

A lei, que é datada de 1985, já garantia a cobertura nos casos de danos ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico, paisagístico e de infração da ordem econômica. Com a mudança, a ação passa a garantir também o livre direito à diversidade religiosa, racial e cultural.


Antes de chegar às mãos da presidenta, o texto foi aprovado no Senado Federal, em março deste ano, mas a sua elaboração é datada de 1997, pelo então senador Abdias Nascimento, morto em 2011. O parlamentar paulista foi um dos maiores defensores da cultura e igualdade das populações afrodescendentes no Brasil.

Clique aqui e veja o texto da Lei 7.347 na íntegra.

Daniel Sousa

domingo, 1 de junho de 2014

Sincretismo religioso no Brasil Colônia

O Brasil, graças ao seu processo de colonização, possui uma grande diversidade de religiões, muitas delas extremamente marcadas pelo sincretismo. O texto abaixo, de Ronaldo Vainfas, publicado na Revista de História, expõe como funcionava o sincretismo religioso na época do Brasil Colônia (Érica Rodrigues).

Ilustração: Érica Rodrigues

Sincretismo nosso de cada dia

Cotidiano do período colonial mostra como é difícil sustentar estereótipos no campo da religiosidade
Entre os documentos das visitações inquisitoriais enviadas ao Nordeste brasileiro no final do século XVI, vários dão pistas da religiosidade popular da Colônia. Um senhor de escravos, cristão-novo, mandou Cristo à merda ao acompanhar a procissão do Santíssimo Sacramento na Bahia seiscentista. Uma cigana
espanhola, em meio a um temporal nas ruas de Salvador, gritou: “bendito sea el carajo de Cristo que mija sobre mí”. Outro gostava de colocar o crucifixo embaixo da cama, para dar sorte, quando transava com a esposa – o que não deu certo, pois a mulher era adúltera. Um senhor de escravos do Recôncavo Baiano resolveu abrigar nas suas terras uma seita indígena meio tupinambá, meio católica, e ainda se ajoelhava diante do ídolo de pedra que os índios cultuavam. O chefão da seita dizia nada menos que era o verdadeiro papa e sua mulher, ou a principal delas, ostentava o título de Santa Maria Mãe de Deus. Falando nisso, e pulando para o século XVIII, Tereza de Jesus, cristã-nova pela metade, pois a mãe era católica, disse que Santa Maria e Santa Esther eram a mesma coisa, assim como Cristo e Moisés eram parecidos. Morava no Rio de Janeiro, morreu queimada em Lisboa.