Descrição para cegos: foto de parte do muro do horto florestal onde se ler a seguinte pichação: "Deus é preta, pobre e mãe solo".
Marcelo Piancó
Muita gente já
disse que as paredes têm ouvidos, porém o mais belo susto que eu tive foi
constatar que os muros têm bocas, cérebros e opiniões. Embora isso cause grande
dor e tristeza para a vereadora Eliza Virgínia. Essa nossa parlamentar de cabeça
mirim que classifica a pichação como a mais pura manifestação do vandalismo,
pior até que os crimes que são praticados em nome dos deuses. Uma frase em muro
pode até não ser arte, mas muitas vezes ela é, no mínimo, filosofia e, no máximo,
a mais fina ironia.
Não queria misturar pichação com religião pra não manchar o que é mais puro, no caso a tinta que vai no muro. Não é fácil pra nenhum cidadão dito distinto se deparar com uma tinta negra em muro branco gritando que "Deus é preta, pobre e mãe solo". Não é fácil, mas é provocador, não é confortável, mas é inovador, não é comum e por isso mesmo é libertário. Acho até que Deus assinaria embaixo e acrescentaria outros pormenores das minorias tão diminuídas.
Não queria misturar pichação com religião pra não manchar o que é mais puro, no caso a tinta que vai no muro. Não é fácil pra nenhum cidadão dito distinto se deparar com uma tinta negra em muro branco gritando que "Deus é preta, pobre e mãe solo". Não é fácil, mas é provocador, não é confortável, mas é inovador, não é comum e por isso mesmo é libertário. Acho até que Deus assinaria embaixo e acrescentaria outros pormenores das minorias tão diminuídas.
